Marcas mais vendidas: Fiat se torna mais líder, Toyota e francesas caem mas GM, BYD e Chery crescem
Mercado está em mudança acelerada e abre espaço para chinesas preocupando fabricantes tradicionais

O primeiro semestre de 2026 confirmou que o mercado automotivo brasileiro passa por uma das maiores transformações de sua história recente. Se por um lado a Fiat manteve a liderança absoluta, seguida pela Volkswagen, por outro as marcas chinesas consolidaram um avanço sem precedentes, alterando o equilíbrio entre fabricantes tradicionais e novos concorrentes. Essa mudança chega a ponto da Toyota, BMW e marcas francesas registrarem quedas ao passo que Chery, BYD e Omoda & Jaecoo cresceram bem acima da média.
O ranking mostra uma mudança importante em relação ao cenário de apenas três anos atrás: hoje, quatro fabricantes chinesas já aparecem entre as 16 maiores do país, enquanto outras seguem em forte expansão.
Fiat continua em um patamar isolado
Com 270.941 automóveis vendidos, a Fiat encerrou o semestre como líder com ampla vantagem sobre a Volkswagen, segunda colocada com 224.923 unidades.

A distância de aproximadamente 46 mil veículos demonstra que a marca italiana continua sustentada por um portfólio extremamente equilibrado. Argo, Mobi, Pulse, Fastback e Cronos garantem presença em praticamente todos os segmentos de volume, enquanto Strada e Toro seguem impulsionando a força da fabricante no mercado brasileiro. Outro diferencial é a forte presença no varejo, locadoras e vendas diretas, estratégia que a Fiat mantém há anos.
Painel de instrumentos do Volkswagen T-Cross Extreme
Marcos Camargo Jr 29.06.2026
Volkswagen cresce com T-Cross, Polo e Tera
A Volkswagen permanece como principal concorrente da Fiat. O sucesso do T-Cross, líder entre os SUVs, somado ao desempenho consistente do Polo e à chegada do Tera, fortaleceu a marca alemã no segmento de maior volume do mercado. Todo mês com essa dupla a VW vende em média 12.000 unidades, somando T-Cross e Tera além de outros produtos como Nivus, Polo Track entre outros veículos de volume.

BYD muda o mapa do setor
O dado mais expressivo do ranking talvez seja a quarta posição da BYD. Com 99.028 unidades vendidas, a fabricante praticamente alcançou a Hyundai e deixou para trás marcas tradicionais como Toyota, Renault, Jeep e Honda.
BYD Dolphin Mini 2026
O sucesso do Dolphin Mini, elétrico mais vendido do varejo e do ranking geral, Dolphin, linha Song com três produtos e King mostra que o consumidor brasileiro passou a enxergar os veículos eletrificados chineses como uma alternativa viável, não apenas pela tecnologia, mas também pelo custo-benefício.
A tendência é que esse crescimento continue com o início da produção nacional em Camaçari (BA), reduzindo custos e ampliando a oferta de modelos.
Hyundai e Toyota vivem momentos diferentes
A Hyundai manteve a quinta posição com 96.723 unidades graças ao desempenho consistente do HB20 e do Creta. A marca que lançou o i20 no final do semestre ainda não conseguiu mostrar em volumes de venda. Já a Toyota aparece apenas na sexta colocação, com 79.969 veículos.

Embora continue extremamente forte em rentabilidade e fidelização, a fabricante japonesa perdeu volume nos últimos anos em razão da crescente concorrência dos SUVs compactos e, principalmente, da chegada de híbridos chineses, que passaram a disputar diretamente clientes do Corolla Hybrid.
Renault tenta recuperar espaço
A Renault terminou o semestre na sétima posição, com 63.873 unidades.Boa parte desse resultado já reflete o impacto positivo do Kardian, responsável por renovar a imagem da marca no Brasil. Mas não o suficiente. Com tantos produtos no segmento e após a estreia do Tera, o Kardian não conseguiu mais superar 3.000 unidades em nenhum dos meses de 2026.

Nos próximos meses, a expectativa é que o lançamento do Boreal fortaleça ainda mais a presença da fabricante no segmento de SUVs médios.
Jeep deixa de ser protagonista
A Jeep, oitava colocada com 56.418 unidades, vive uma fase de transição. Compass e Commander continuam relevantes, mas já enfrentam concorrentes chineses tecnologicamente mais avançados e, em muitos casos, mais baratos. Não à toa a marca que tinha 18% de market share há quatro anos hoje tem 4% entre os SUvs. Apenas versões de entrada dos seus carros vendem bem. Ainda que tenha volume o Compass e até o Renegade mantém volume mas não significa que isso resulte em lucro.

A chegada do Avenger deverá ampliar a participação da marca entre os SUVs compactos. É a esperança da marca que tem concessionários cada vez mais pressionados em uma ampla rede mas com produtos já antiquados.
Chinesas ocupam cada vez mais espaço
Se a BYD já figura entre as quatro maiores, outras fabricantes chinesas começam a consolidar posições importantes. A GWM aparece na 12ª posição com 35.218 veículos. A Geely, mesmo tendo iniciado sua operação recentemente, já alcança o 14º lugar com 18.144 unidades. A Omoda Jaecoo soma 16.805 veículos e ocupa a 16ª posição, enquanto a GAC, recém-chegada ao país, já acumula 4.948 unidades no semestre.

Somadas, BYD, GWM, Geely, Omoda Jaecoo e GAC ultrapassam 174 mil automóveis vendidos, volume suficiente para colocá-las atrás apenas de Fiat e Volkswagen caso fossem um único grupo. Isso explica que num mercado de pouco crescimento quem se destacou foram justamente as novas marcas.
Geely EX2 Max verde estacionado em São Paulo
Marcos Camargo Jr. 16.07.2026
Marcas premium também crescem
Entre as fabricantes de menor volume, BMW lidera o segmento premium com 7.252 unidades. Mas caiu 10% no primeiro semestre de 2026. Já Ram segue consolidada entre as picapes grandes, com 14.766 emplacamentos.

Há poucos anos, as dez primeiras posições eram ocupadas quase exclusivamente por fabricantes tradicionais europeias, japonesas e americanas. Hoje, a eletrificação e a chegada das montadoras chinesas alteraram significativamente esse cenário.

Outro ponto importante é que praticamente todas essas novas marcas apostam em SUVs eletrificados, justamente o segmento que mais cresce no país. Isso força as fabricantes tradicionais a acelerarem seus planos de eletrificação, produção local e renovação de portfólio.

O segundo semestre deverá tornar essa disputa ainda mais intensa. A produção nacional da BYD, a expansão da GAC, os novos modelos da Geely, a chegada do Jeep Avenger, do Renault Boreal e de outros SUVs eletrificados prometem aumentar a concorrência em um mercado que já vive sua maior transformação desde a popularização dos veículos flex.
Marcas mais vendidas no primeiro semestre de 2026 no Brasil
1°) Fiat 270.941
2°) Volkswagen 224.923
3°) Chevrolet 140.706
4°) BYD 99.028
5°) Hyundai 96.723
6°) Toyota 79.969
7°) Renault 63.873
8°) Jeep 56.418
9°) Honda 53.540
10°) Caoa Chery 37.013
11°) Nissan 36.875
12°) GWM 35.218
13°) Ford 27.224
14°) Geely 18.144
15°) Citroën 17.501
16°) Omoda Jaecoo 16.805
17°) Ram 14.766
18°) Mitsubishi 9.933
19°) Peugeot 8.756
20°) BMW 7.252
21°) GAC 4.948
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