Lula: 'Brics é um conjunto de países querendo criar outro jeito de organizar o mundo'
Em discurso no encerramento da cúpula, presidente criticou a ONU e o FMI e disse que bloco busca a sobrevivência do multilateralismo; veja na íntegra
Conexão Record News|Do R7
No discurso que encerrou a cúpula do Brics no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (7), o presidente Lula criticou ao sistema internacional de governança e apontou o grupo de países emergentes como alternativa a um mundo conflituoso. “Eu não tenho dúvida nenhuma que o Brasil já tinha realizado a melhor reunião que o G20 já tinha feito e o Brasil hoje realizou a mais importante reunião que o Brics já fez”, disse.
O presidente defendeu mudanças na ONU (Organização das Nações Unidas) e no FMI (Fundo Monetário Internacional), que, segundo ele, perderam legitimidade ao promover políticas que penalizam os países pobres. “O FMI foi um banco de investimento para atender as necessidades dos países mais pobres. Não é para emprestar dinheiro e levar os países à falência, como tem acontecido”, comentou.
Lula acusou o Conselho de Segurança da ONU de não conter os conflitos e de promover guerras: “Desde a guerra do Iraque, da invasão da Líbia, da morte do Khadafi, até a guerra com a Ucrânia [...], ninguém pede licença para fazer guerra, vai tomando decisão e vai fazendo”.
O presidente também apontou a falta de representação no sistema global e perguntou por que países como Brasil, Índia, México, Nigéria, Egito e Etiópia seguem fora do Conselho de Segurança da ONU: “Os que ficaram no Conselho de Segurança em 1945 não querem sair e não querem permitir que outros entrem”.
O petista comentou ainda que o Brics pode ser a “válvula de escape que a humanidade precisa” e propôs que o grupo convide os demais países do G20 para o bloco. “Não precisa ter G7, ter G20. [...] Poderia ser a ONU, o grande centro de debates dos problemas mundiais. Não é mais”, disse.
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