Rússia pode escapar de sanções mesmo se uso de armas químicas for comprovado; entenda
Governo ucraniano pediu a abertura de uma investigação a respeito do uso dos armamentos por Moscou na guerra
Conexão Record News|Do R7
A Ucrânia pediu ao órgão global de vigilância de armas químicas, em Haia, que investigue um suposto uso de munições tóxicas proibidas na guerra. A solicitação aconteceu depois que agências de inteligência da Holanda e da Alemanha divulgaram um relatório apontando para evidência do uso generalizado de armas ilegais pela Rússia na linha de frente. No ano passado, os Estados Unidos acusaram Moscou, pela primeira vez, de usar cloropicrina, um composto químico super tóxico, usado durante a Primeira Guerra Mundial.
Em entrevista ao Conexão Record News desta terça-feira (8), Paulo Velasco, professor de política internacional da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), explica que a posse e utilização de armas químicas é proibida desde a origem da OPAQ (Organização para a Proibição de Armas Químicas) em 1997.
Apesar da existência desse ente, ele indica que outras acusações de uso dos armamentos continuaram acontecendo. Na década passada, os Estados Unidos e países da Europa reportaram a utilização pelo governo sírio na guerra civil, e o país passou por investigações in loco para verificar se havia realmente os rastros dos químicos.
Velasco ilustra que algo semelhante teria que ser feito com a Rússia, com técnicos da OPAQ tendo que de deslocar ao território russo ou ucraniano para buscar se há sinais do uso desses armamentos. No entanto, se comprovado o uso russo, a violação da convenção internacional poderia não gerar nenhum tipo de punição, uma vez que a decisão teria que vir do Conselho de Segurança da ONU, órgão do qual a Rússia é um membro permanente com poder de veto.
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