Logo R7.com
RecordPlus
Record News

Reuniões no Alvorada, Estado de Sítio e benefícios: confira principais pontos da delação de Cid

Ministro do STF, Alexandre de Moraes quebrou o sigilo da delação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro na manhã desta quarta (19)

Hora News|Do R7

  • Google News

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, quebrou o sigilo da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, na manhã desta quarta-feira (19). O documento ao qual a RECORD NEWS teve acesso detalha os encontros entre generais das Forças Armadas e o suposto plano de assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de seu vice Geraldo Alckmin e de Moraes. 


Sobre os encontros realizados no Palácio da Alvorada, entre 25 e 28 de agosto de 2022, Cid citou a existência de três grupos que aconselhavam Bolsonaro sobre o possível golpe. Na ala mais conservadora estavam o senador Flávio Bolsonaro, o então advogado-geral da União, Bruno Bianco, o então ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e o brigadeiro Batista Junior, comandante da Aeronáutica na época. 

O ex-ajudante de ordens também contou que outro grupo temia que os mais radicais trouxessem um assessoramento e que Bolsonaro assinasse uma “doideira” relacionada ao golpe. Composto pelo general Freire Gomes, então comandante do Exército, general Arruda, chefe do DEC (Departamento de Engenharia e Construção) à época, general Teófilo, então comandante das Forças de Operações Terrestres, e Paulo Sérgio, ministro da Defesa no período, o grupo, junto de Cid, recomendava que o ex-presidente deixasse o país. 

Em outro momento da delação, o tenente-coronel comentou o plano “punhal verde e amarelo” de assassinar o presidente Lula e seu vice, Geraldo Alckmin, além do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) à época, Alexandre de Moraes. A organização do plano contava com a presença do então vice na chapa de Bolsonaro, general Walter Braga Netto, e dos coronéis Oliveira e Ferreira Lima. 

A reunião, ocorrida em 12 de novembro de 2022, levantava o plano de arquitetar ações que movimentassem as massas sociais e causasse o caos, levando à assinatura por Bolsonaro de um documento declarando Estado de Sítio. Dias depois, o coronel Oliveira entrou em contato com Cid solicitando dinheiro para dar continuidade aos planos discutidos no encontro. 

A delação também conta com o depoimento do ex-ajudante de ordens ao delegado da Polícia Federal, Fábio Shor. A declaração relata o encontro, em 28 de novembro de 2022, entre os assessores de comandantes e generais. Entre os pontos discutidos, buscava-se entender o que pensava o general Theófilo, que era tido como “um militar que, se o presidente desse a ordem, ele ia passar por cima do general Freire Gomes e fazer uma ação mais incisiva”. 

Entre os pedidos de Cid pela delação estão o perdão judicial ou pena privativa não superior a 2 anos, restituição de bens e valores apreendidos, extensão dos benefícios para ele, pai, esposa e filha maior de idade, além de uma ação da Polícia Federal visando garantir a segurança dele e de sua família, bem como medidas para manter o sigilo dos atos de colaboração. 

Com a indicação da denúncia de Bolsonaro e mais 33 envolvidos feitas pelo PGR (Procurador-Geral da União), Paulo Gonet, nesta terça-feira (18), o ministro Alexandre de Moraes delimitou um prazo de 15 dias para que os 34 denunciados apresentem suas defesas por escrito. 

Em nota, a defesa de Braga Netto definiu a denuncia como fantasiosa. Já a defesa de Bolsonaro afirmou receber a “inepta denúncia” com estarrecimento e indignação, sendo uma “narrativa fantasiosa” baseada em um “delator que questiona sua própria voluntariedade”. “O presidente Bolsonaro jamais planejou um Golpe de Estado e jamais compactuou com qualquer movimento que viesse à desconstrução do Estado Democrático de Direito ou das vias que o pavimentam”, completou o comunicado. As defesas dos outros citados não responderam aos questionamentos.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.