Governo precisa dizer quem vai pagar a conta, diz economista sobre ampliação de isenção do IR
Especialista alerta que as perdas de arrecadação pelo aumento da faixa de desoneração podem causar efeito cascata e prejudicar quem tem renda menor
Conexão Record News|Do R7
O projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda precisa ser melhor detalhado pelo Executivo, na opinião da economista Juliana Kessler. Segundo ela, o governo busca promover justiça tributária para quem ganha até R$ 5.000 por mês, mas não explica como compensará a perda de arrecadação.
Em entrevista ao Conexão Record News desta terça-feira (18), Juliana ressalta que a proposta contraria medidas voltadas à estabilidade econômica. Ela aponta também que essa mudança pode estimular uma alta no consumo entre aqueles que deixam de contribuir. "Vai gerar uma expectativa de crescimento, ou pelo menos de mais recursos para que as pessoas gastem. Isso pode antecipar uma parte dos gastos, pressionar a inflação e piorar as contas públicas", explica.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou ao Congresso Nacional o projeto que prevê a isenção do IR para quem recebe até R$ 5.000 mensais. O ato ocorreu no Palácio do Planalto, em Brasília, e contou com a participação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. A iniciativa é uma das principais promessas de campanha de Lula.
Atualmente, quem recebe até R$ 2.824 está isento do tributo. A expectativa do governo é de que a nova faixa entre em vigor no próximo ano. Para viabilizar a medida, o Executivo propõe uma taxa progressiva de até 10% sobre rendimentos superiores a R$ 50 mil por mês.
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