Negociação com os EUA deve ser tratada como jogo de 'ganha-ganha', diz especialista sobre tarifaço
Para professor de relações internacionais da ESPM, política comercial em curso colocada por Donald Trump tem como foco a industrialização dos EUA
Record News Rural|Do R7
Em entrevista ao Record News Rural desta quarta-feira (6), José Pimenta, professor de relações internacionais da ESPM — que representou o IBCIS (Instituto Brasileiro de Comércio Internacional, Investimentos e Sustentabilidade) durante encontro com empresários em Washington —, afirma que ficou muito clara a importância do mercado brasileiro para os Estados Unidos.
Ele destaca que, justamente pela relevância dos produtos produzidos no Brasil, "há uma série de itens que ainda podem ser colocados como exceção [para o tarifaço] e que, é claro, vai depender de negociações e de approaches do setor privado brasileiro, governo brasileiro, mas, sobretudo, do setor privado norte-americano".
O principal desafio, segundo Pimenta, é compreender a concorrência. "A gente sabe que os Estados Unidos têm negociado com diversos países. Nós temos uma tarifa maior do que alguns desses países que são concorrentes diretos do Brasil em alguns produtos", afirma.
O especialista acrescenta que é interessante observar o cenário no fim desta semana, com a finalização do tarifaço. "Vai ser posta para que a gente possa se posicionar de uma maneira competitiva, não só via tarifária — porque evidentemente que a tarifa por Brasil, se permanecer para alguns produtos como está hoje, a gente vai perder muito em competitividade —, mas, mais do que isso, olhar no longo prazo. Acho que esse é o ponto principal", pontua.
Para ele, a taxação imposta pelos EUA deve ser tratada como um jogo de "ganha-ganha", e que não há dúvidas de que "essa política comercial em curso colocada pelo presidente Donald Trump tem como foco a industrialização dos Estados Unidos".
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