'Anúncio sem efeito prático', diz professor sobre ameaças de Trump à Rússia
Presidente americano ameaçou impor tarifas secundárias de cerca de 100% caso não haja paz em 50 dias
Conexão Record News|Do R7
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (14), que pretende aplicar um pacote de tarifas severas à Rússia caso o governo de Vladimir Putin não alcance um acordo de paz com a ucrânia em um prazo de 50 dias. O anúncio foi feito durante encontro com o chefe da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Mark Rrutte, na Casa Branca, que também anunciou o envio de armas à Ucrânia.
Trump afirmou que o valor das taxas será de cerca de 100% em cima dos valores atuais, caso não aconteça um cessa-fogo. O republicano tem se demonstrado cada vez mais descontente com o presidente russo pelo impasse na guerra. No último domingo (13), o presidente americano voltou a fazer críticas aos bombardeios comandados sob a liderança de Putin.
Tal medida, por se tratar de sanções secundárias, pode gerar mais impactos para os parceiros comerciais do Kremlin do que para o país em si, é o que avalia Vladimir Feijó, analista internacional e professor da Uniarnaldo, em entrevista ao Conexão Record News desta segunda-feira (14). Para o professor, com uma relação comercial pequena entre Washington e Moscou, tais sanções pouco impactam nas negociações comerciais: “Impor imposto para produtos russos vendidos para os Estados Unidos, que já são em baixo volume, não vão fazer impacto muito grande”.
No entanto, Feijó destaca os desafios que os Estados Unidos podem enfrentar com as sanções, como a compra de fertilizantes que teria que ser negociada com países como Irã, Arábia Saudita ou Omã — países que possuem ditaduras ou monarquias absolutistas. Já um produto comprado dos russos e que não há outro parceiro para a venda, são os materiais radioativos, como combustíveis nucleares, que podem pesar no bolso da indústria americana.
“Os americanos não têm alternativa de compra e simplesmente seriam obrigados a pagar mais caro por esse produto, correndo o perigo de ter que fechar os investimentos ou mesmo o funcionamento de algumas usinas nucleares, exatamente pela inviabilidade econômica”, conclui Feijó.
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