Análise: situação de emergência no Ceará devido ao tarifaço ajuda, mas onera ainda mais o Estado
País norte-americano é o destino de 44% dos produtos produzidos no estado brasileiro
Conexão Record News|Do R7
O estado do Ceará decretou situação de emergência por conta do tarifaço do presidente americano Donald Trump. Os Estados Unidos representam o destino de 44% das exportações cearenses, especialmente frutas, pescados e pás eólicas. A medida assinada pelo governador Elmano de Freitas pretende facilitar a adoção de medidas e a coordenação de ações de defesa para trabalhadores e empresas.
Para Denis Medina, economista e professor da Faculdade do Comércio, a medida é válida para manter as rendas das empresas e o fluxo de caixa, principalmente no setor de alimentos perecíveis. Em entrevista ao Conexão Record News desta sexta-feira (5), ele ressalta que, apesar de benéfica aos empresários, ela pesa nos cofres do governo: “Mantém os empregos, mas acaba prejudicando outros tipos de investimentos que o Estado poderia fazer e está destinando recursos para esse tipo de ajuda às empresas”.
Outro agravante apontado por Medina é o fato de 90% dos produtos enviados pelo Ceará estarem fora da lista de isenções das tarifas americanas, pesando mais para os produtores locais. O professor ainda pontua que a decisão do estado nordestino acende o alerta para outras regiões do país que podem sofrer com a mesma crise. Uma vez que redirecionar esses produtos para outros mercados é uma tarefa que demanda tempo, o diálogo continua sendo a melhor ferramenta para resolver a situação.
“Então a gente acaba tentando criar uma alternativa internamente aqui, quando o mais prático, mais lógico e mais fácil seria negociar diretamente com os Estados Unidos, entender quais são as exigências, quais são os critérios que eles querem, para que a gente consiga entrar num consenso. A negociação é melhor do que uma discussão, aí uma briga como tenha sido”, finaliza o professor.
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