Entenda por que Trump quer tanto um cessar-fogo na guerra entre Rússia e Ucrânia
Professor de relações internacionais explica que o republicano busca benefício para a própria imagem, mirando nas eleições de meio de período
Jornal da Record News|Do R7
"Tem um efeito cenográfico", afirma o professor de relações internacionais Roberto Uebel, sobre o encontro de Donald Trump com líderes europeus realizado na Casa Branca, na última segunda-feira (18), para discutir um cessar-fogo duradouro na guerra entre Rússia e Ucrânia.
Estudioso das estratégias do republicano antes de ele assumir a presidência dos Estados Unidos, Uebel analisa, em entrevista ao Jornal da Record News, o padrão nas negociações de Trump e o que ele tem a ganhar com um acordo de paz no conflito.
"Enquanto era empresário, sempre jogava alto, uma aposta alta, ou seja, algo que fosse dificilmente de ser cumprido num primeiro momento, com o seu cliente ou concorrente, e começava um processo de negociação até que chegasse ao máximo daquilo que Trump toleraria e entenderia como um ganho para si. E ele aplica essa mesma fórmula, esse mesmo método como presidente dos Estados Unidos", afirma.
Para Uebel, "Trump me parece que deu as cartas. Muitos foram críticos quando ele disse isso no seu primeiro encontro com Zelensky, lá em fevereiro, e ele dizia 'Estou jogando as cartas. E, de fato, ele está jogando as cartas. A questão é que me parece que os europeus agora também estão aceitando, em certa medida, essas cartas e vão tentar costurar um acordo entre a Ucrânia e a Rússia".
O professor pontua que não faz sentido Trump entrar em uma negociação sem querer algum benefício, como a possível indicação ao "Nobel da Paz". Outro fator envolve também a política doméstica americana, uma vez que as eleições de meio de período que acontecem daqui a pouco mais de um ano são cruciais para garantir maioria republicana na Câmara dos Deputados e no Senado.
"Se Trump eventualmente conseguir um cessar-fogo, conseguir a fotografia de Zelensky com Putin, mesmo que não traga algum fruto, não traga o fim da guerra, a fotografia já está pronta para o seu eleitorado e pode garantir, no próximo ano, resultados muito positivos para o presidente Trump e para o seu partido republicano", completa o especialista.
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