'Solitário' na mediação entre Rússia e Ucrânia, Trump reduz chance de indicação ao Nobel da Paz
Perda da capacidade de aglutinar aliados coloca Estados Unidos em posição enfraquecida na mediação do conflito, segundo especialista
Jornal da Record News|Do R7
Nesta sexta-feira (15), Vladimir Putin e Donald Trump se reúnem para discutir o fim da guerra entre Rússia e Ucrânia. Em entrevista ao Jornal da Record News, o professor de relações internacionais José Luiz Niemeyer afirma que um cessar-fogo só será possível mediante algumas condições “muito claras” impostas pelo presidente russo.
Entre as exigências estariam a renúncia da Ucrânia a 20% de seu território, a garantia de que o país não integre nenhuma organização militar — “muito menos” a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) — e a manutenção das fronteiras russas “intactas”.
“É muito complicado, em pleno século 21, um país como a Ucrânia, que é um país soberano independente, perder 20% do seu território”, diz o especialista ao acrescentar que este é o principal motivo para que, até agora, um acordo de paz não tenha sido assinado.
Segundo Niemeyer, “a Rússia tem uma agenda de projeção de poder no seu entorno geoestratégico que é muito clara, e os Estados Unidos não vão conseguir retirar essa agenda”.
O professor também ressalta que, apesar de Trump se colocar como conciliador do conflito e ter um desejo claro de ganhar um Prêmio Nobel da Paz, os EUA chegam às negociações em posição enfraquecida.
“Na equação do poder internacional, os Estados Unidos perderam, nos últimos meses, principalmente sobre a administração de Trump, capacidade de aglutinar aliados. Estão mais solitários nessa equação com relação à Rússia, que cada vez mais se aproxima da China”, pontua.
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