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'Nós, mulheres, ficamos 2.000 anos caladas', diz Cármen Lúcia ao permitir apartes 'rápidos'

Ministra concedeu aparte a Flávio Dino durante a argumentação de seu voto nesta quinta-feira (11), no julgamento de Bolsonaro e aliados

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Durante a argumentação de seu voto no julgamento do núcleo crucial da trama golpista, nesta quinta-feira (11), a ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia respondeu o pedido do ministro Flávio Dino de aparte em sua fala. Dino questionou se poderia fazer colocações. No dia anterior, Luiz Fux não concedeu apartes em sua explanação.

Em sua resposta, Cármen Lúcia afirmou: “Todos, desde que rápidos, porque também nós mulheres ficamos 2.000 anos caladas, nós queremos ter o direito de falar. Mas, eu concedo, como sempre, está no regimento do Supremo, o debate faz parte dos julgamentos, tenho o maior gosto de ouvir, eu sou da prosa”.

Na sequência, Dino continuou em tom de brincadeira para afirmar que seu voto havia sido curto para fazer debates com as apresentações dos colegas, com a ministra respondendo que aceitava, mas que o ministro deixasse também para o presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin: “O do ministro Zanin é bom. É um bom voto pra se cortar, porque aí não vai ter nem a aplicação da Lei Maria da Penha”, finalizou a ministra brincando com o juiz.

Julgamento da trama golpista

Na tarde desta quinta-feira (11), a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) entrou no quinto dia do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete aliados pela suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

A sessão pode ser decisiva, já que os ministros Cármen Lúcia e Cristiano Zanin tendem consolidar maioria para condenar os réus. O placar está em 2 a 1 pela condenação. O resultado será por maioria simples de três votos, mas a defesa ainda pode recorrer dentro do próprio STF e atrasar a decisão final.

Até o momento, o relator do processo, Alexandre de Moraes, e Flávio Dino votaram pela condenação. Dino, contudo, fez uma ressalva quanto às penas proporcionais de Alexandre Ramagem, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, pelo fato de eles terem menor participação na trama golpista.

Luiz Fux aceitou a acusação contra o tenente-coronel Mauro Cid e o general Walter Braga Netto pelo crime de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito. Por outro lado, para os outros julgados, o magistrado votou pela absolvição total, inclusive de Jair Bolsonaro.

Além do ex-presidente, respondem pelos ataques à democracia o tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid; o deputado federal e ex-diretor-chefe da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Alexandre Ramagem; o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier; o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres; o ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira; o ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno; e o general Walter Braga Netto.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) imputou cinco crimes aos reús, sendo elas: organização criminosa armada, tentativa de abolir violentamente o Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado por violência ou grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

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