Fux se defende após Zanin questioná-lo sobre tempo do voto: 'Isso é uma obrigação da Constituição'
Ministro se alonga em sua argumentação do voto e se justifica; confira
News das 19h|Do R7
Por volta das 19h30 desta quarta (10), o ministro Luiz Fux, que havia começado às 9h sua argumentação no quarto dia do julgamento de Jair Bolsonaro e outros sete réus, interrompeu sua fala para perguntar a Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, se seria possível uma pausa de dez minutos.
Zanin, então, aproveitou o momento para questionar o colega de toga quanto tempo ele estimava que duraria sua explanação. Fux disse que ainda trataria individualmente de cinco réus, mas não informou em que horário deveria terminar. Antes de continuar, ele se justificou:
"Senhor presidente, isso é uma obrigação da Constituição. Um juiz deve motivar suas decisões", afirmou o ministro, que teve a concordância de Zanin.
Julgamento da trama golpista
Na manhã desta quarta-feira (10), a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) retomou o 4º dia do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus pela suposta tentativa de golpe de Estado.
Após a argumentação da PGR (Procuradoria-Geral da República) e a apresentação das sustentações orais das defesas nas duas primeiras sessões, os ministros realizam a leitura dos votos para avaliar o mérito da questão e decidir se haverá condenação, além de definir as penas.
O primeiro a se manifestar foi o relator do processo, o ministro Alexandre de Moraes, que votou a favor da condenação do grupo. Na sequência, o ministro Flávio Dino concordou com a condenação, mas fez uma ressalva quanto às penas proporcionais dos réus Alexandre Ramagem, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, pelo fato de eles terem menor participação na trama golpista.
Faltam os votos, na respectiva ordem, de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. A decisão será tomada por maioria simples de três votos, mas a defesa ainda pode recorrer dentro do próprio STF e atrasar a decisão final.
Além do ex-presidente, respondem pelos ataques à democracia o tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid; o deputado federal e ex-diretor-chefe da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Alexandre Ramagem; o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier; o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres; o ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira; o ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno; e o general Walter Braga Netto.
A PGR imputou cinco crimes aos reús, sendo elas: organização criminosa armada, tentativa de abolir violentamente o Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado por violência ou grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
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